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 A política e o seu caráter essencial para a vida em sociedade

BLOG DO RICARDO BORGES
POLÍTICA

A política e o seu caráter essencial para a vida em sociedade
Argumentação sobre o caráter vital da política para a humanidade

 Por Ricardo Borges
 Publicação: 29/06/2018 às 19:00:00 - Atualizado em 29/06/2018 às 19:00:00
 Argumentação - Internet

(ABV) — A política é indispensável para a vida em sociedade. Destarte, neste que é o primeiro post do blog, não poderia escolher tema melhor para me debruçar do que uma breve avaliação do porque penso a sociedade estar tão perdida, desnorteada, a não ser uma clara deturpação do sentido da política, não de hermenêutica, mas sim, de caráter proposital e inidôneo, visando o atendimento de interesses escusos. Tudo bem, isso nos remete aos primórdios, não é nenhuma novidade, mas não há dúvidas de que alguns políticos transformaram a corrupção em profissão e se o baixo intelecto dos mesmos os faz realizarem péssimos governos, ao menos no desvio de verba pública podemos chamá-los de verdadeiros empreendedores.

Imagine o que pensariam Sócrates, Platão e Aristóteles ao verem o atual cenário político do Brasil, que se alastra deste os pequenos municípios até as esferas estadual e federal, através de um inflamado aparelho do estado que está prestando um completo desserviço à sociedade, além de cobrar dela uma fatura altíssima para o fazer desta forma. Claro, como sustentar a corrupção de outra forma que não seja cobrando da população?

A razão para estarmos nesta situação é bem simples e vou utilizar palavras de Aristóteles para pontuar, um dos homens mais sábios que a humanidade já viu e que afirmou que “não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam”. Perfeito, não? E se gostam, mesmo fazendo governos pífios, sem se preocuparem com o que a população pensa ou quer, é porque alguma coisa ganham com isso, simples, isso é de fácil compreensão.

Não obstante, preciso rememorar conceitos do incomparável Sócrates, que de maneira magistral afirmou que “só quem conhece a si mesmo é que sabe que não sabe”. De acordo com o ilustre filósofo, a grande virtude é “saber que não sabe”, culminando com a marcante frase “só sei que nada sei”.

Sócrates queria dizer que “quanto mais sabe que não sabe, mais sábio é o homem”. Ou seja, Sócrates instigava o homem a buscar o conhecimento, ponderando que quanto mais aprendemos, mais temos a descobrir.

Meu objetivo com essa pequena divagação no tempo era chegar a uma colocação ainda mais clara do que penso sobre alguns políticos atuais, os assumidamente corruptos, comumente envolvidos em escândalos, ilegalidades, afinal, as palavras do filósofo versam que os que pensam que sabem e não sabem que não sabem, seriam, na sua concepção, os mais tolos.

Mas quem são os tolos? Sim, nós também, que nos deixamos governar por qualquer um, nos submetendo às circunstâncias nas quais o país se encontra. Ainda assim, me refiro aos tolos políticos corruptos, que continuam agindo de acordo com o seu livro de regras feitas para manutenção do poder, de maneira até ditatorial, políticos estes que por gerações, por mais estúpidos e ignorantes que sejam, perpetuam-se no poder, não por seus méritos, mas sim por desinteresse geral dos povos pela política, o que leva a falta de mudança no poder, que parece agora ficar mais clara entre os cidadãos.

Tais políticos se julgam tão inteligentes porque criaram estratégias que foram vitoriosas ao longo dos anos, dentre as quais estão a compra de votos, aparecer mais para a população nos últimos anos e até mesmo apenas nos últimos meses de mandato ou que antecedem um pleito, apostando na falta de memória do povo e, além de muitas outras astutas proposições, a oferta de cargos públicos ou benefícios das mais variadas espécies para o convencimento de seus eleitores, variando as estratégias de acordo com as ambições, as metas de poder.

Serve como afronta aos eleitores, de uma forma até provocativa, os tratando como estúpidos, o fato de estes mesmos políticos trabalharem incansavelmente ao longo da história do Brasil para construírem sucessores, passando o bastão para filhos, familiares e amigos de suas famílias, assessores, pessoas próximas e que possam atender aos seus interesses, não aos da população. Em síntese, é uma verdadeira farra que impregna-se também nos partidos, fundamentais para seus objetivos. Não precisamos nem falar aqui do fundo partidário e outras benesses das quais os partidos políticos do Brasil podem usufruir.

Deixando um pouco de lado a corrupção e falando agora da funcionalidade dos governos, sustento que quando houve a histórica iniciativa para se buscar a separação dos poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) arguiu-se pela independência dos mesmos, tirando todo o poder das mãos dos reis, para que houvesse uma maneira justa e honesta de governar, respeitando-se os direitos coletivos e individuais.

Agora lhe pergunto: na câmara de vereadores da sua cidade e nas assembleias legislativas dos estados ou ainda no Congresso Nacional, vereadores, deputados e senadores votam os projetos analisando a sua proposta ou o resultado é sempre o que agrada, ou seja, é necessário ao executivo e aos partidos governistas? A oposição vota sempre contra, indiferente do projeto em análise? Os parlamentares atuam em favor da população ou atendendo a interesses de suas bancadas, defendendo os objetivos dos partidos?

Após propor a reflexão, lembro que o legislativo possui papel legiferante, ou seja, de legislar, estabelecer ou criar leis, normas que regulem e assegurem o atendimento de sua finalidade, fiscalizar de maneira imparcial e sempre vigilante o Executivo que, por sua vez, deve administrar de acordo com os anseios do povo, de maneira legal, transparente, impessoal, moral, com efetividade e dando publicidade aos seus atos, sendo o judiciário o poder que garantirá o efetivo cumprimento dos direitos e deveres, prezando pelo atendimento do interesse coletivo e respeitando as garantias individuais.

Este sistema que deveria ser eficaz e que ao meu modo de ver foi pensado de maneira notável, acaba comumente desconstruído por interesses pessoais e partidários, através de indicações, vantagens, e uma série de outros artifícios da cartilha que trabalha pelo poder, única e exclusivamente pelo poder. Observe nas três esferas, municipal, estadual e federal, nos três poderes, legislativo, executivo e judiciário, em todo território da união, a quantidade de servidores públicos contratados, além dos serviços que são terceirizados, justamente porque quantidade não significa qualidade, efetividade nos serviços, e mesmo com esse expressivo número de contratados, direta e indiretamente, os serviços públicos são realizados de maneira precária. Podemos fazer uma análise simples da falta de competência a começar pelos cargos de chefia, geralmente sem qualquer autonomia, numerosos, de todos os tipos e escalões, nos lembrando daquele famoso ditado “muito cacique para pouco índio”, com a diferença aqui para a quantidade de comandados. Não vamos nos esquecer aqui das inúmeras assessorias, consultorias e todo tipo de apoio físico e moral que políticos recebem, porque já que não sabem fazer, precisam estar rodeados de pessoas, algumas vezes tão incompetentes quanto eles, para lhes bajularem, aumentarem a sua autoestima e compartilharem de seu planejamento de marketing, a fim de confundir os cidadãos e dar a impressão que estão trabalhando.

Por fim, para não me alongar ainda mais nesta publicação, prometendo ir mais a fundo nas próximas, avalio que a política está tão amadora que até mesmo partidos que estão no poder, portanto, governando, utilizam como estratégia de campanha para eleição de sucessores o slogan “precisamos de mudança”. Ora, trata-se de uma assinatura de falência, porque se o partido está no poder e pretende continuar, porque sugere mudança? Isso quando falamos de partidos, porque no fim das contas, através de coligações partidárias as luzes são apagadas de vez, pois, em vez de ideais, cada partido defende seus interesses, a menos que seus interesses sejam os mesmos que os dos demais partidos.

Vivemos um período de regressão civilizatória, em que não há mais espaço para amadores políticos. Está na hora de elegermos pessoas com conhecimento, porque como bem descreve um velho ensinamento, “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

Minha argumentação final, que encerra esse primeiro post do blog que manifesta minhas opiniões sobre a política, é que devemos todos nos envolver mais com o estudo dessa importante ciência, primordial para que qualquer civilização possa existir, entretanto, que foi aniquilada por aqueles que nada sabem, a não ser o que querem saber.
A última colocação, tem como recurso os ensinamentos de Platão, que afirmava que “o preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior.”

Encerro.

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